Ocupações dos secundaristas

As ocupações de escolas e universidades não são novidade, bem como as greves, acontecem há anos pelos mais diversos motivos, porém, em 2016 elas ganharam grande atenção por parte do povo e da mídia.
Alunos ocuparam instituições de ensino em um movimento à favor da educação, contra a PEC 241, porém isso gerou grandes críticas, como alguém que luta pela educação proíbe os alunos de estudarem? É essa a solução? Impedir alunos e professores de cumprirem com os seus respectivos deveres vai solucionar a defasagem que existe na educação no Brasil?
Deixo aqui um vídeo que se tornou bastante famoso na internet, a estudante secundarista Ana Julia fez um discurso diante da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, defendendo e explicando os motivos das ocupações das escolas públicas.




Agora, gostariam que assistissem o depoimento do menino que se colocou contra as ocupações, logo após o assassinato de um dos ocupantes, tal vídeo não teve a mesma repercussão. Ao longo do vídeo existem algumas comparações com o depoimento da aluna Ana Julia e algumas teorias sobre ela ter sido doutrinada a dizer tais coisas, quero deixar claro que não concordo com isso, pois não pesquisei o suficiente para criticar o discurso da menina, mas infelizmente não encontrei o vídeo original.



Vale ressaltar que esses dois estudantes são menores de idade, bem como a maioria daqueles que ocuparam as escolas públicas, isso quer dizer que grande parte dos ocupantes ainda não se sustenta e mora na casa dos pais, isso gerou revolta em alguns dos responsáveis, que exigiram entrar nas escolas para saber o que estava acontecendo, bem como entraram em discussões para saber o motivo do protesto, infelizmente, grande parte dos adolescentes envolvidos não souberam responder as peguntas.
Nas universidades ocupadas, tal problema não existiu, pois os ocupantes eram adultos, mas quando a situação envolve menores de idade é comum que os responsáveis por eles se preocupem com o que está acontecendo e tenham o direito de saber isso. Quero ilustrar essa indignação através de um vídeo que viralizou no ano passado, quando um jornalista amador foi até uma escola ocupada em Londrina no Paraná e filmou algumas mães que queriam entrar no prédio e entender o que estava acontecendo, porém foram barradas, bem como o autor do vídeo, por membros do Conselho Tutelar, pelos próprios alunos e também por universitárias.


Encerrando, gostaria de dizer que eu absolutamente não concordo com as ocupações do jeito como elas foram feitas, muitas das pessoas que se diziam contra a PEC241 nem sabiam dizer sobre o que se tratava ou nunca haviam lido. Na minha opinião, para lutar contra ou a favor de alguma coisa devemos saber exatamente pelo quê estamos lutando, além disso, devemos ser pacíficos, se a luta é legítima porque não responder perguntas? Porque não deixar que os cidadãos de bem, como os pais, entrem dentro da ocupação e saibam o que se passa lá dentro? Porque não dialogar com todos apresentando argumentos e respeitando opiniões contrárias?
É direito do cidadão protestar, nada pode contestar isso, é constitucional, mas a maioria das manifestações perdeu sua credibilidade e legitimidade a partir do momento em que os próprios manifestantes não sabiam pelo que estavam lutando, não adianta de nada dizer "contra a PEC241" se não sabe o que diz nela, se não tem conhecimento suficiente para responder o motivo pelo qual está manifestando. Atitudes assim fizeram com que as ocupações fossem encaradas como baderna, "coisa de gente que não quer estudar", sendo que os ocupantes se diziam defendendo a educação, faz sentido?
Não faz. Os estudantes devem lutar pelos seus direitos, devem combater injustiças, mas não podem de maneira nenhuma banalizar tal ato, foi o que aconteceu nas ocupações. Por último, deixo um vídeo que mostra claramente a violência oriunda da falta de diálogo, em uma escola de Curitiba, no Paraná, o mesmo jornalista amador foi agredido após "provocar" estudantes com perguntas à respeito da ocupação. A ironia está no final do vídeo, quando dois alunos aparecem dando um depoimento sobre o que aconteceu durante o vídeo e afirmando que os alunos não praticam nenhum tipo de violência.

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